quarta-feira, 19 de março de 2014

Povo se prepara para a manifestação de hoje em Bacabal - mas quem, por questão moral e respeito à comunidade, não deveria participar?


               Nas redes sociais e esquinas da cidade opiniões se dividem em torno dessa questão; mas há uma maioria que não admite o fato de pessoas que fizeram parte do comando, ou até mesmo aqueles que se beneficiaram na última administração, participarem da manifestação de logo mais, tal que leva o povo para as ruas em protesto contra as questões de saneamento da cidade de Bacabal. Hoje, Bacabal é Bacabal é hoje um município com mais de 100 mil habitantes e que há muito clama por organização, investimento em emprego e renda, além de clareza nas ações dos seus administradores. Os velhos grupos políticos continuam a perpetuar no poder e sempre dão um “jeitinho brasileiro” de se colocarem próximos, para tirar vantagem dele.
              Mas não se engane, essa prática é genuinamente brasileira e faz parte, historicamente, do nosso contexto político, pois não é à toa que escrevo este artigo narrando justamente mais uma situação não tão inusitada assim: “pessoas que compuseram uma administração vergonhosa, que deixou a cidade à beira do caos, que atrasou salários durante boa parte do pleito do seu titular e que fizeram Bacabal repercutir negativamente na imprensa do Brasil no rol dos envolvidos na quadrilha de agiotagem do Maranhão; agora encontram uma maneira bem viável de encostar-se ao lado do verdadeiros anseios populares para beneficiarem-se da repercussão dos movimentos advindos da comunidade.
              Como seria vista uma manifestação, contra principalmente ao estado sanitário da  cidade, onde estas pessoas estivessem presentes na mesma? Qual a moral que elas teriam para reivindicar aquilo que ajudaram a produzir? É uma reação de arrependimento pelos atos cometidos quando no comando do município? Trata-se tão somente de sede pelo poder, pelo dinheiro fácil e pela vontade insana de voltar às farturas pessoais que as administrações públicas dão aos seus titulares e aliados políticos. Manifestar é uma válvula de escape e uma forma de o povo demonstrar que está acordado, que não aceita desmandos, que está organizado em uma só idéia; mas deve sim ser um ato límpido, sem as manchas daqueles que querem apenas “tirar uma casquinha” para tentar voltar a utilizar as benesses que o poder é capaz de proporcionar. O poder é viciador, ele dá a possibilidade de como viver de forma altamente confortável sem necessitar bater cabeça com o dia de amanhã; mas o difícil mesmo é acordar para a realidade e ver que para sobreviver é necessário trabalhar, fazer planos, economizar, atentar melhor para os valores das etiquetas no supermercado, necessitar de patrocínio do comércio para sustentar eventos antes ornamentados pela prostituida máquina pública.

                Que o povo saia às ruas e leve sua mensagem de indignação por qualquer situação que o esteja incomodando, ele tem o direito e até o dever de fazê-lo, mas que seja de forma racional, organizada, ordeira e principalmente desapegada de partidarismos e grupos políticos com sede de poder. Pra essa situação, o adágio popular “diga-me com quem andas e eu te direi quem és”, cai muito bem, obrigado. 

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