terça-feira, 22 de abril de 2014

Sem futuro no MA, o Amapá é o plano 2 de poder da família Sarney

E agora José?       
      Sem alternativa política, o senador José Sarney (PMDB-AP) tirou o terno, caprichou na maquiagem para parecer mais jovem e com saúde, afinou o discurso e deu a largada em sua campanha à reeleição. Esta semana, no programa partidário do PMDB, em meio a mesma cantilena de sempre de enumerar obras públicas como se fossem suas, o velho senador forçou a barra e esforçou-se em mostrar o quanto teria sido importante para o PT de Lula e Dilma, numa clara resposta à vice-governadora Dora Nascimento (PT-AP), candidatíssima ao Senado, que tem afirmado, para quem quiser ouvir, que em nenhuma circunstância o Partido dos Trabalhadores, no Amapá, o apoiará.
“O Bolsa Família do LULA foi aprovado por mim na presidência do Senado. Fui um dos primeiros a apoiar a DILMA”… “Tudo possível graças à minha relação com LULA e DILMA”, disse Sarney no programa partidário do PMDB.
Sarney tentou resolver o problema da continuidade do poder da família no Maranhão. Uma muito bem engendrada engenharia política estava em plena execução até o momento em que um dos atores resolveu roer a corda: o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo (PMDB), que substituiria a governadora após a sua renúncia para ser candidata ao Senado, resolveu ser ele mesmo o candidato ao governo rompendo com o que havia sido combinado com o chefe, que queria Luís Fernando – secretário de Infraestrutura do governo para a disputa eleitoral. Enfraquecido politicamente, Sarney não conseguiu domar a rebelião peemedebista obrigando a sua filha Roseana manter-se no cargo, cumprindo integralmente o seu mandato.
A improvisação da candidatura de Edison Lobão Filho para o governo asserenou os ímpetos dos pemedebistas mais rebeldes, mas não resolveu o problema da família Sarney. Isso porque Flávio Dino, pré-candidato ao governo pelo PCdoB, é de longe o favorito dos maranhenses para ocupar o Palácio dos Leões, sede do Governo do Maranhão. A potencial vitória do comunista teria o efeito de jogar a pá de cal na mais longeva oligarquia brasileira. Essa situação fez o velho político maranhense ativar o plano 2: Amapá 2014.
Reserva
O eminente desastre político do Maranhão foi decisivo para a recente decisão do senador Sarney em disputar a reeleição ao Senado pelo Estado. Ele guardou o Amapá na geladeira política para usá-lo como plano 2 em caso de dar errado a candidatura de sua filha no seu estado natal.
Pelo que se viu na televisão esta semana, o octogenário senador vem para o tudo ou nada. Mas Sarney não terá vida fácil no Amapá. Enfrenta dissenções internas, oposição do PT local, uma enorme rejeição eleitoral e uma saúde pessoal instável. Com esses ingredientes, tudo parece indicar que a população tucuju vai ajudar o povo maranhense a fazer aquela oligarquia virar passado, definitivamente. 

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