quinta-feira, 10 de julho de 2014

Povo que nada, o negócio é a negociata entre família - Deputados usam parentes como “plano B” na busca por vagas na AL

Pelo menos três deputados estaduais maranhenses preparam “planos B” para a eleição deste ano. Por motivos distintos, Raimundo Louro (PR), Camilo Figueiredo (PR) e Cleide Coutinho (PSB) registraram suas candidaturas, mas garantiram a entrada na disputa, também, de parentes.
Citado três vezes na lista do Tribunal de Contas da União (TCU) de gestores com contas julgadas irregulares, Raimundo Louro – que já foi prefeito de Pedreiras -, registrou a própria candidatura, com uma espécie de deboche à Justiça Eleitoral.
Com dificuldades de ter o registro deferido, ele anexou ao pedido de registro uma foto do Papa Francisco e resolveu registrar a filha, Priscilla Louro, também do PR. O objetivo é lançá-la em seu lugar após a confirmação do indeferimento da candidatura. O deputado foi procurado pelo blog, mas não deu retorno às solicitações.
O deputado Camilo Figueiredo (PR) não tem problemas com a Justiça que o impeçam de ser candidato, mas teme ser prejudicado pela chapa em que o seu partido entrou para o pleito de outubro. O Partido Republicano faz parte da coligação “Pra Frente, Maranhão 2”, com PMDB, DEM, PTB, PV, PTdoB, PSC, PRTB e PSD.
Para evitar problemas maiores, Figueiredo providenciou o registro de Camilo Figueiredo Filho, o Camilinho, filiado ao PCdoB, acreditando que entre os comunistas o filho pode ter mais sucesso do que ele próprio entre candidatos do PMDB, principalmente.
Em Caxias, a família Coutinho registrou duas candidaturas: a da deputada Cleide Coutinho (PSB) e a do ex-prefeito Humberto Coutinho (PDT). Nesse caso é a própria deputada o “plano B” da família.
Desde o ano passado, estava praticamente certo que o candidato do grupo seria o pedetista. A deputada não tentaria reeleição. Um câncer, no entanto, forçou a cautela da família em relação ao candidato, e Cleide acabou também se registrando para a disputa.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo (PMDB) também aposta na eleição em família para manter um mandato na Casa. Candidato a vice-governador pela coligação “Pra Frente, Maranhão”, encabeçada pelo senador Edison Lobão Filho (PMDB) como candidato a governador, Melo registrou a filha, Nina Melo (PMDB) para entrar na disputa.
Em todos os casos, os registros só serão confirmados após julgamento pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão. De acordo com o artigo 54 da Resolução 23.405 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prazo para julgar os pedidos e publicar as decisões, inclusive acerca dos impugnados, encerra em 5 de agosto. O primeiro turno das eleições 2014 ocorre em 5 de outubro e eventual segundo turno no dia 26 do mesmo mês.
Outros casos
O registro de parentes para substituir candidatos não é novidade na disputa por vagas na Assembleia Legislativa. Em 2006, o atual líder da Oposição, Rubens Pereiria Júnior (PCdoB), então no PRTB, foi registrado para substituir o pai, deputado Rubens Pereira, considerado ficha-suja.
Em 2010, o deputado Fufuca Dantas, também registrou o filho, André Fufuca (PEN), que se elegeu então no PSDB.

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