sexta-feira, 4 de julho de 2014

TRAGÉDIA DE BELO HORIZONTE, A CULPA É DA COPA? - Não, a culpa é da CULTURA CORRUPTA brasileira



Por Cláudio Cavalcante


                Reconhecido como um dos jornalistas mais bem informados do país, Ricardo Boechat comanda a programação da Band News FM das 7h30 às 9h de segunda a sexta-feira, e hoje, ao escutar seu programa, ouvi sua visão sobre a tragédia de ontem, no viaduto em Belo Horizonte. Enquanto muitos estão acusando o momento em que o Brasil se encontra, voltado à Copa do Mundo, que seria a causa para que as obras fossem aceleradas, diante também dos prazos “políticos” em detrimento da chegada das eleições e os prazos legais apertados para inaugurações de obras; ele rema contra a maré e disse que a culpa não é do evento Copa do Mundo. Segundo ele é uma questão cultural brasileira de fazer a coisa pública acontecer de forma torta, fraudulenta e desorganizada.
                Eu havia falado sobre a tragédia, ontem a noite, entre um grupo de amigos, praticamente sobre a mesma linha de pensamento do Ricardo Boechat. A Copa do Mundo é apenas mais um instrumento que faz vigorar e praticar uma cultura porca do “fazer mal feito”, quando se trata de obra pública no Brasil. Aqui nunca se cumpre prazo, sempre pede-se complementos de verbas, utiliza-se material de qualidade inferior àqueles explicitados nos projetos, os projetos nunca são totalizados para toda obra e são sempre elaborados por etapas pois assim tem-se maior possibilidade de superfaturamento, superfatura-se por brincadeira, não há cobrança e punição severa, as obras não são de acordo com as necessidades reais da comunidade e sim das necessidades políticas dos governos de acordo com seus projetos políticos, ou seja, é cultural mesmo. Embora estejamos em período de copa, a forma em que o pais funciona é assim mesmo. Como disse Ricardo Boechat, não se cumpre nada aqui, além de haver um cartel da industria das empreiteiras. Basta olhar para as contas das grandes campanhas políticas no Brasil e ver que as maiores doadoras de recursos são as mega construtoras e quase sempre as mesmas que estão sempre à frente das grades obras públicas no país. Tanto que já está no DNA dos que governam e fomentado pelo povo que, também age com certo grau de corrupção no dia-a-dia. São várias as tragédias como a do Metrô de São Paulo, viadutos e pontes despencado por ser obra de péssima qualidade ou por ter passado do prazo de validade ou manutenção, como por exemplo a ponte de Bacabal sobre o rio Mearim, em péssimo estado e com prazo de utilização já excedido há algum tempo.

                Não, não é a copa, é a cultura política, administrativa e até a jurídica. Vou mais além e digo que o sistema está errado, pois são muitos os poderes nas mãos de poucos indivíduos, onde sua maioria não tem escrúpulos, competência, ética e moral para exercê-los. Tem que se mudar a cultura de que as obras públicas no Brasil “são assim mesmo”. É necessário se repensar o que significa a política, a administração pública, a lógica do que é esse país. Olhem as obras do PAC, um espetáculo a céu aberto de atrasos, má qualidade e dinheiro público jogado fora, muitas dessas obras meramente cabides de emprego. Olhemos para o nosso estado: aqui acelera-se a construção de hospitais e escolas em épocas pré-eleitorais, muitas dessas obras que não se sabe como e até quando irão funcionar após as pomposas campanhas políticas. Não é Copa, é acultura nossa de todo dia. No Brasil é necessário sempre que se faça três previsões básicos orçamentos para as obras públicas: a parte que confere à prática da obra em si; a parte que será pedida como adicional; a parte que será desviada e a parte para finalização e entrega da obra (a chamada chantagem corporativa das empreiteiras). A desgraça pública começa na licitação fraudulenta ou viciada e vai até as fases de entrega da obra. Não é a Copa, é a corrupção que encontrou mais uma grande oportunidade de operar em causa própria.

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