quarta-feira, 24 de setembro de 2014

As mudanças substanciais na política doente e a parcela de culpa com a corrupção na imprensa e na sociedade

Por Cláudio Cavalcante

              Diariamente vejo e ouço através da imprensa e do meio político, discussões sobre qual o remédio mais cabível e mais eficaz para a corrupção.  Diante dos grandes escândalos, como o recente da Petrobrás, surgem, principalmente em época de eleição, inúmeras receitas para coibir e até erradicar esse mal que assola a humanidade desde muito antes de Cristo. A corrupção faz parte da história humana e sabe-se lá se não faz parte também de sua própria natureza psíquica. A sua “erradicação” está nas receitas prontas dos candidatos, principalmente aqueles à presidência e governo, que, por força, tem que discutirem esse tema diante da farsa do "politicamente correto".  Acredito que não haverá uma dita erradicação da corrupção, não sou utópico ao ponto dessa crenças exacerbadas. No entanto, acredito que é necessário não buscar a cura, mas sim a prevenção, pois os que estão aí, já estão podres, doentes pelo sistema que os acostumou assim. Não há muito o que fazer, além de vigiar e vigiar muito, porque eles vão roubar, vão reinventar, diuturnamente, a forma com que os roubos são praticados. Vejo, aqui em Bacabal, discussões diárias apenas sobre pessoas falidas moral e politicamente, que compõem ou já compuseram algum grupo político. Falam de Lisboa e seus “encostados”, de Zé Vieira e seus “penteados”, de Zé Alberto e seus “comandados”, de João Alberto e seus “desgovernados”, enfim, a conversa está sempre rodeando as mesmas figuras carimbadas, que continuam ou não agindo. Parece play groud para mariposas desvairadas. Mas eles não são os únicos a serem "discutidos", colocados em evidência, ou não deveriam ser o alvo principal da discussão, porque o “leite já derramou”. As pessoas ainda perdem tempo falando apenas da proliferação da doença e não de qual prevenção poderia ser feita daqui em diante, para que novas enfermidades não venham contaminar a estrutura básica da política partidária, que é o de bem representar, fiscalizar, zelar pelos seus representados.
            A imprensa tem papel fundamental nesse processo, por isso tem grande parcela de responsabilidade e até culpa no que está acontecendo. Há corrupção no meio “comunicacional instituído” e isso nunca é discutido. Geralmente não há discussão sobre a base do problema, mas somente sobre o acontecido e isso também ocorre no "4º poder". É necessário que haja mais inteligência por parte de muitos de nós, para que possamos levar a população a pensar, a refletir mais, olharmos para nossas próprias ações e deixar certas conveniências políticas de lado. Julgamos tanto as ações dos políticos e seus beneficiados diretos e indiretos, mas não observamos que fomentamos toda essa enrolação pública. Discutir o que gera a política sórdida, tal que nos deparamos todos os dias, é o mínimo que a imprensa poderia fazer, caso o intuito fosse mesmo colaborar para a devida transparência diante do sistema político, dos pretensos candidatos, dos eleitos, reeleitos e corruptos de carteirinha que apenas buscam perpetuar-se no poder em causa própria.
            Meus amigos, discutir o que está havendo em Bacabal e em outras cidades da região, do Maranhão e do Brasil, é substancialmente salutar e necessário, mas muito mais prioritário ainda é tentar entender porque a situação chegou a tal ponto e porque todo esses desmandos continuam acontecendo. Somente assim poremos as pessoas para pensar, para que elas possam ter a capacidade de descobrir como derrotar parte de todos estes esquemas malditos, que corroem o nosso dinheiro, as nossas boas perspectivas, a nossa esperança de verdadeiras mudanças. Discutir se Jamile ficou mais feia ou mais bonita em seus cartazes substitutos à candidatura do seu esposo ficha-suja, se Patrícia vai ou não ser eleita com os votos de Zé Vieira, se Zé Alberto escuta música sertaneja ou regae no seu carro ou se João Alberto seria ou não eleito caso fosse o candidato a governador, são questões irrelevantes para as mudanças que necessitamos. Fincar o alvo na discussão sobre estas pequenas irrelevâncias é destruir a possibilidade de discussão mais ampla, é jogar água e adubo na falsa raiz do problema.
               Não falo isoladamente de discussão meramente filosófica, ideológica ou sociológica; mas da junção de tudo isso através de um pólo diferenciado de situações práticas, que levem as pessoas a enxergarem que o problema não é somente um grupo de políticos, mas uma cadeia bem maior, muito mais aterrorizante e mortífera, que reúne a ação e a participação de todos nós. Somos todos partícipes porque a corrupção está impregnada nos nossos atos, desde a pequena ação de tomarmos o lugar indevido na fila do banco até a vantagem monetária que recebemos ao sonegar dividendos a quem seja de direito. Não se constrói nada de novo se o novo não se desenvolver através de uma nova raiz, com eliminação das pragas que impregnam sua natural desenvoltura. É necessária regar com água boa, não essa água podre que aí está. Para isso temos que assentar nova planta, fiscalizar a água, velar sua raiz diuturnamente, para produzir folhas limpas e saudáveis, folhas novas, folhas sem vício, sem pragas, protegidas contra as tempestivas. Somente assim não perderemos tempo borrifando pesticidas inadequados, tais que só resultarão em mais ameaça à dignidade de todos.


Reflitam. 

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