sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Se as campanhas fossem menos pessoais e com mais debates de ideias, teríamos políticos, eleitores e sociedade bem melhores

Por Cláudio Cavalcante

              A forma pejorativa e pequena que os candidatos caracterizam seus adversários, ainda é bastante usual no Brasil e principalmente aqui no nordeste, onde os apelidos são feitios rotineiros de tratamento. Mas essas formas, na época das campanhas políticas, acabam por sair do campo do simples apelido entre familiares, amigos e conhecidos, para a arena da maldade, da injúria, da tentativa de desmoralização pública. Como exemplo principal, temos Flávio Dino, candidato a governo do estado, que é taxado de comunista diariamente, tanto pela imprensa dita “morron”, dentre alguns blogueiros e sites tendenciosos, aliados a grupos opositores de Dino. Esse tratamento não tem intuito de soerguê-lo como candidato ou como pessoa, mas sim “pejorativar” sua posição partidária e ideológica, na busca de criar sobre ele um temor coletivo, numa tentativa de fazer voltar à consciência popular os tempos em que se “assombrava” a sociedade, publicando que os comunistas eram maus, “vândalos”, perseguidores, cruéis e até devoradores de criancinhas.
          Poderia citar aqui dezenas de outra situações como estas que ocorrem também com os candidatos da nossa região ou de Bacabal, seja em off ou sobre os palanques de uma “reca” de imbecis que se auto classificam como políticos, tais que não tem capacidade para discutir ideias, planos de ações executivos, legislativos ou projetos arrojados que possam consolidar uma política nova. O que há, na realidade, é uma briga travada entre interesses pessoais e nada mais. Como já expus em outro texto, existe apenas briguinhas pessoais para ver quem fica ou quem sai do governo, qual turma vai permanecer “chupando dedo”, enquanto a outra turma “vencedora” ficará “trepada” sobre as ancas do poder. O pior de tudo são os torcedores partidários, aqueles que muitas vezes não ganham quase nada, mas são “porta-vozes” do disse-me-disse dos seus mestres políticos. Os caras brigam como se a candidatura do seu “aliado” fosse realmente construída em busca de melhoria social para todo o âmbito público. Mas sabe porque isso acontece? Porque, há muito, a política partidária deixou para trás a capacidade de intentar a favor de campanhas participativas, como os embates de ideias democráticos e inovadores junto à comunidade, baseados nas necessidades reais de melhoria das condições sociais.

                    O que vejo, nessa eleição, é que mais uma vez será eleito um “monte” de Zé Mané, interessado apenas no próprio projeto político familiar. Será eleita, novamente, uma gama de patifes e figuras hilárias, sem a menor noção do que significa representatividade, pessoas que farão muito mal à boa e velha esperança de uma política construída para a comunidade e não para interesses particulares. A sociedade poderia mudar isso, mas ela também sofreu transformações, ficou descrente após sucessivos desarranjos políticos. Com pequenas mudanças de comportamento, podia-se evoluir, avançar bastante, mas nessa eleição muitos votos ainda serão trocados por inúmeros sacos de favores ou dinheiro vivo. Está faltando discernimento político, conter o saco furado que faz vazar os rios de dinheiro para a corrupção desenfreada. Não dá mais para olhar tantos absurdos e achar que está tudo normal. É necessário que haja cobrança verdadeira, porque cartazes de campanha bem elaborados, frases de efeitos construídas para ludibriar a consciência das pessoas, abarrotados de sorrisos falsos e forçados, tem que deixar de ser as indumentárias principais de candidatos papagaios, tais sem ideia e sem competência para nos representar. 

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