quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Debate "meia boca" coloca Pedrosa, Dino e Lobão Filho frente a frente - Educação ficou de fora

POR Cláudio Cavalcante


Num “debate” bastante mixo, pequeno, diante do formato criado pela Rede Globo, na noite de ontem (30/09), onde alguns temas, como mobilidade urbana, foram “debatidos” apenas por dois candidatos, deixando o outro isolado, sem poder expressar suas ideias a respeito do assunto; as ideias ficaram longe de serem realmente debatidas. O encontro teve três blocos, com a seguinte estrutura: foram 30 segundos para a pergunta, 1 minuto e 30 segundos para a resposta, 1 minuto para a réplica e 1 minuto para tréplica. Cada bloco teve perguntas livres, entre os candidatos Flávio Dino (PCdoB), Lobão Filho (PMDB) e Luís Pedrosa (Psol), e perguntas de temas sorteados. Alguns temas importantíssimos, como educação, foram colocados para fora da noite, tal muito mais de reafirmação de preceitos pessoais dos candidatos, do que de ideias. Ficou claro que é muito difícil para Flávio Dino não falar sobre a “carreira” criminosa de lobão filho, dado processos na justiça por formação de quadrilha, que tem como titular o candidato governista. Contrapondo, Lobão Filho também não deixa por menos e incute Dino de constar em processo que busca esclarecer situações administrativas quando da sua passagem pela EMBRATUR, segundo Lobão, obscura. Pedrosa, muito centrado, tem percepção rápida sobre as convicções dos outros dois candidatos e se coloca bastante seguro, principalmente quando fala da falta de coerência dos outros dois candidatos, tanto quando ao apoio de Dino a “todos os “presidenciáveis” que estão à frente nas pesquisas.
 Em alguns pontos do debate, Lobão Filho tenta renegar o grupo que lhe apóia, dizendo que não participou do governo que aí está, quase que admitindo erros e falhas de Roseana Sarney. Claro que é bem mais difícil para Lobão Filho fazer um discurso coerente, diante da crise de segurança que o estado vem passando e de outras graves situações, muitas delas, ligadas a educação, repito: que nem sequer foi citada no “debate”. Dino e Pedrosa teceram comentários e suas visões de como resolver o problema da segurança. Segundo Flávio Dino o número de policiais pode ser dobrado justamente com ajustes e com estancamento do ralo da corrupção. Pedrosa entende que é necessário muito mais e deu sinal que essa prática é paliativa. O confronto teve pedidos de direito de resposta pelo candidato Lobão Filho, que foi indeferido pela direção do “debate”. O mediador esclareceu que os pedidos foram indeferidos por que não foi ferida a honra do candidato, apenas fatos ocorridos e comentados por Flávio Dino a respeito das ações de Lobão Filho foram no âmbito eleitoral.

 Enfim, analiso que o formato dos “debates” tem que mudar substancial e estruturalmente. O que vi foi algo mecânico, onde alguns temas não são apresentados e outros muito mal discutidos. Na realidade não discussão, reapresentação de posição pré-estabelecida por parte dos candidatos. É necessário mais participação popular, lideranças associativas, setores que formam a sociedade civil, para que estejam todos presentes num só espaço, utilizando-se de muito mais tempo, falando olho a olho com os candidatos, colocando em pratos limpos o disse-me-disse político que os envolve. Nada foi esclarecido nesse “debate” de ontem da TV Mirante, o que houve foi apenas reafirmação do que já sabemos sobre os candidatos, além de voltarem a tona as diferenças e rixas que são dignas dos seus palanques. O eleitor que saber mais. Quer saber, por exemplo, como as  propostas poderiam ser executadas, como o Maranhão poderá sair da miséria e figurar no Brasil como estado próspero e com bons indicadores na educação, saúde e saneamento básico, tais que estão à beira da precariedade. Não precisamos que nenhum candidato pareça super herói nos debates, precisamos de gente que tenha o mínimo de ética, virtude e respeito pelas situações mais básicas, necessárias para boa sobrevivência dos nossos irmãos maranhenses. Para isso é preciso conversa, debate, discussão verdadeira, é necessário um “encontrão”, onde a mídia faça parte apenas para publicar e não para criar regras, pois as regras devem ser feitas de acordo com a necessidade real de cada população e se dependesse das nossas necessidades, passaríamos dias debatendo prioridades.  

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