sábado, 4 de outubro de 2014

EDITORIAL DO JORNAL PEQUENO CONTA UMA HISTÓRIA DE HORROR - É importante que você leia


                    Alguns desavisados poderão me taxar de exagerada; outros, de sensacionalista. Mas, na verdade, estou sendo apenas realista, em cima dos meus experientes 56 anos de vida, os quais vivi na sua totalidade, na submissão de uma ditadura de ideias, do poder econômico, do poder social e de mentiras, à margem dos bons empregos, das boas roupas, dos bons carros e de tudo de bom que a vida nos oferece, itens excluídos da minha vontade de adolescente e adulta por não fazer parte, nem eu nem meus amigos, nem minha família da casta Sarney ou dos seus puxa sacos mais próximos.
Ora, até que tentamos mudar este triste cenário. Meu pai, lembro como se fosse hoje, gastou suas parcas economias em detrimento do nosso estoque de alimentos em casa, em um curso de Técnico Agrícola, na esperança de se inserir no grande projeto de agricultura irrigada (Salangô), considerado pelos Sarney como a redenção para o povo da Baixada Maranhense. Deu no que deu: desvio de dinheiro público, enganação, decepções e a sofrida população envolvida, a ver navios. Passado o sofrimento, nova esperança: o Maranhão seria sede de uma grande indústria de autopeças (Usimar) para abastecimento dos polos fabris do sudeste Brasileiro. Imediatamente, por ser a mais velha dos três filhos do casal, matriculei-me em um curso de Torneadora Industrial, para, novamente, tentar melhorar a condição financeira da família. Parece novela mexicana: dinheiro desviado, mentiras, decepções, estelionato político e eu, assim como meu pai, vivendo dos sonhos não concretizados.
Passada a euforia, surgiu uma nova esperança: minha mãe poderia nos salvar de tantas desilusões. O Polo de Confecções de Rosário era a realidade daquele outro momento do nosso sofrido Estado. Minha mãe, como ótima costureira, poderia se inserir no mercado de trabalho e melhorar os rendimentos da família. O Polo de Confecções, segundo a família Sarney, exportaria seus produtos para a China, um grande mercado consumidor, uma realidade inquestionável. Minha mãe continua até hoje costurando para a vizinhança; o polo afundou na lama sarneysista, como tudo que foi planejado por esta oligarquia ao longo meio século no Maranhão. Tudo bem, somos resignados, não é à toa que insistimos, junto com o sofrido povo maranhense, em deixar a família real no poder. Temos a esperança de que alguma coisa aconteça. E aconteceu. O Maranhão vai ser contemplado com três. Não são duas nem quatro, são três siderúrgicas para aproveitar o minério de ferro de Carajás. Euforia, temos o ferro, os orientais têm o dinheiro para investir, os produtos têm mercado certo no Japão e na China, pronto: faca e queijo na mão.
De imediato, a fim de dar credibilidade ao projeto, uma faculdade que idolatra a Família Real, e que não é boba nem nada, implantou o curso de siderurgia para que os jovens maranhenses pudessem fazer parte do processo. Curso caro, pais se sacrificando pelos filhos, – “é, mas já sai do curso empregado”, diziam. Meu irmão do meio, com minha ajuda – sou torneira mecânica, (lembram?) faço bicos em oficinas por aí – mergulhou de cabeça nessa empreitada e se formouTecnólogo em Siderurgia, o que foi festejado com todo aquele foguetório característico daquela instituição nas suas formaturas. As pseudo Siderúrgicas elegeram governadores, senadores, deputados, vereadores etc. etc. Coitado do meu irmão do meio. Trabalha hoje em dia numa respeitada loja de móveis populares. E ele tem família para sustentar. Para o irmão mais novo sobrou, finalmente, uma esperança: a Refinaria Premium, segundo Lobão (Ministro de Minas e Energia), no longínquo ano de 2009, conforme profetizou aos quatro cantos; verbis: “a Refinaria de Bacabeira estará refinando 600 mil barris de Petróleo em 2014. Não só óleo diesel, como pensado inicialmente, mas também outros derivados, como gasolina, querosene de aviação, nafta etc. Queremos trazer para o Maranhão um polo Petroquímico para aproveitarmos o potencial da Refinaria”. Pensamos: o nosso irmão mais novo ainda acredita, ainda não foi contaminado com o descrédito da realeza Sarney. Vamos investir nele. O curso de Petróleo e Gás está na moda e tem futuro nesse colosso de Refinaria. Vamos bancar os estudos naquela mesma “faculdade que não é boba nem nada”. Meu pobre irmão trabalha em uma carroça própria, na Praia Grande (sofisticada, pois é puxada por uma égua mestiça), ganha honestamente seu pão de cada dia e o único gás que ele tem contato é o emanado pelo belo traseiro daquele animal quadrúpede.
Nunca, em nenhuma parte do mundo, nas piores ditaduras, nos piores imperialismos, herdou-se tanta maldade, tanta morte vinculada à desesperança, à mentira. Os estelionatos políticos que se deram nos casos acima narrados foram exitosos para a Realeza Sarney. Em todos os fatídicos empreendimentos, muitos dos seus foram eleitos, muitos deles ficaram ricos, muitos de nós morreram por falta de hospitais, segurança, remédios, alimentos, ambulâncias, água tratada, rede de esgotos, rua pavimentada, escolas, trabalho digno etc. Lembram dos dois últimos senadores eleitos com a exploração da Refinaria de Bacabeira? Ambos tiveram mais votos do que a candidata a governador.
A terraplanagem da metade do terreno onde se implantaria a Refinaria de Bacabeira consumiu 1, 6 bilhão de reais; ou seja, daria para comprar 30 Passadenas (ao preço que os holandeses compraram antes da Petrobras entrar no negócio) ou construir centenas de UPAS, milhares de escolas, 1,6 milhões de casas populares, 320 mil celas penitenciárias para colocar estes e mais um bocado de corruptos na cadeia. Lembro que o serviço de terraplanagem feito lá já se foi, o mato já tomou conta novamente de toda a área.
Vem agora Edinho, descendente e representante direto da realeza Sarney, dizer que é o salvador da pátria e que no leito de morte Deus lhe deu uma missão de salvar o Maranhão da família Sarney, dos seus encostos, dos seus afilhados de tambor. Ora, Edinho, Deus não te quer lá. Por isso não foste. O teu guia quer que fiques para causar mais sofrimento à pobre população desse Estado, como na estória do Lobo Mau, a tua grande mão não vai se apoderar de nossas riquezas, tua boca não vai comer as vovozinhas, os netinhos, e os pobrezinhos não deixaremos: a resignação acabou. Os caçadores, aqui representados por UM MARANHÃO DE TODOS NÓS, darão a esta triste estória, neste domingo, um final feliz. Prepare-se para deixar a nossa floresta. Chore você e os seus: o fim chegou.
Outros empreendimentos lunáticos da Realeza Sarney:
*Base Naval da Marinha Brasileira na Ilha do Meio.
*Estaleiro para construção de Super Navios graneleiros na Ponta da Espera.
*Super Porto em São José de Ribamar servido por autoestrada da Estiva até o Barbosa (naquela cidade balneária), serpenteando a baia de São José.
OBS: Faltou criatividade deles para que esta lista fosse maior.
(Goreth da Silva, que só ouve as críticas da Edinho Lobão na Propaganda Partidária)
(Editorial do JP)

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