quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Eleição indireta deixa clima tenso na Assembleia Legislativa do Maranhão

A política do Maranhão esta de cabeça para baixo. A Assembleia Legislativa, chamada metaforicamente pelos deputados de “Casa do Povo”, virou terra de ninguém. As eleições mudaram o governo e os representantes do povo cuidaram de mudar o discurso, a atitude e o lugar no plenário. Até governistas não eleitos, fazem de tudo para serem vistos como náufragos, que pularam da barcaça sarneísta e tentam se agarrar ao bote salva-vidas, guiado pela tripulação da fragata comandada pelo governador eleito Flávio Dino, do PCdoB.

Existem 53 projetos para serem votados, mas depois das eleições, nenhum. O plenário não reúne quórum ou falta acordo de liderança para as votações. Ontem, por exemplo, 22 deputados registraram presença no painel do plenário, mas havia um total de 27 transitando pelo local. Eles poderiam sair, em caso de esvaziamento obstrutivo, sem deixar registro. Cinco ficaram transitando ou até em suas cadeiras. Era o momento em que o futuro chefe da Casa Civil do governo, Marcelo Tavares tentava obstruir qualquer votação de matérias que Flávio Dino não quer vê-las aprovadas. E estava obtendo total sucesso na empreitada.

Tudo isso está acontecendo, quando faltam apenas 40 dias para o fim do governo Roseana Sarney e o começo do de Flávio Dino. A Assembleia Legislativa do Maranhão, onde mandatos atuais prosseguem até 1º de fevereiro, o plenário vive um ambiente de confronto, obstrução da pauta, e, ao mesmo tempo, de desmanche quase total do grupo que era governista e agora se dispõe a reforçar a construção da nova bancada apoiadora do Palácio dos Leões. O deputado Rogério Cafeteira (PTB) usou linguagem diplomática para chamar os colegas pula-cercas, de “infiéis”. Eles prometerem-lhe aprovar uma emenda que acaba com a reeleição da Mesa, mas está vendo que, agora, não conseguirá.

O confronto se dá por causa da eventual renúncia da governadora Roseana Sarney no próximo dia 5. Para tapar uma “lacuna” no artigo 61 da Constituição Estadual, o deputado Alexandre Almeida (PTN) propôs o projeto nº 208 que regulamenta a regra de substituição, que se dará por eleição indireta naquele parlamento. A proposta revoga outra lei (9.994) de fevereiro deste, editada para atender outro momento em que Roseana pretendia renunciar e disputar o Senado, depois que o vice Washington Oliveira foi removido para o cargo vitalício de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

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