domingo, 1 de fevereiro de 2015

Artigo de Sarney, sobre refinaria do Maranhão, nada mais é do que uma grande e irrelevante falta do que fazer

Na data em que se despede oficialmente da política, depois de ocupar cargos públicos por quase 60 anos, José Sarney (PMDB) deixa para a posteridade um artigo esdrúxulo na capa do diário oficial de sua família, o jornal O Estado do Maranhão.
No texto intitulado “Esperança e protesto”, o ex-senador amapaense se arvora a defensor dos interesses do estado, direcionando críticas ao Governo Federal pela suspensão do projeto da Refinaria Premium I, que seria instalada na cidade de Bacabeira.
Sarney também lamenta pelo fato do seu grupo político ter perdido a relevância no cenário nacional. “Neste mês fatídico o Maranhão desceu ladeira abaixo. Perdemos o ministério das Minas e Energia e do Turismo e não temos mais uma voz forte para fazer a defesa de nossa gente em nenhum cargo da república”, reclama.
Noutro trecho risível, ele afirma que as perdas com o cancelamento do empreendimento foram de apenas R$ 2 milhões. No entanto, de acordo com o balanço divulgado na madrugada da última quarta-feira (28), o prejuízo com o “conto da refinaria” deixou um rombo de R$ 2,1 bilhões nos cofres da Petrobras – mil vezes maior que o estimado por Sarney.
“Que culpa tem o Maranhão pela corrupção e bagunça na Petrobras? Pagamos nós pela Lava Jato?”, dissimula Sarney na maior cara de pau, desconsiderando o fato da filha Roseana estar envolvida até o pescoço com o esquema de pagamento de propina investigado pela Justiça Federal, que culminou na prisão do doleiro Alberto Youssef em um hotel de São Luís, no mês de março passado.
Agora na oposição ao governo Flávio Dino (PCdoB) e, ao que parece, também contra a presidente Dilma Rousseff (PT), o oligarca termina o artigo conclamando um movimento pela continuidade da refinaria, sem levar em conta que nos últimos seis anos não moveu uma palha para tirar o projeto do papel, mesmo dispondo de todas as condições políticas necessárias para isso, com indicados abrigados em diretorias estratégicas da estatal de petróleo e o aliado Edison Lobão à frente das decisões do Ministério de Minas e Energia.
“Posso não estar mais vivo, mas sei que se mantivermos a luta, classe empresarial, povo, governo, todos unidos, essa decisão será revertida e um dia vamos ver a refinaria do Maranhão”, finaliza o revolucionário tardio.

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