domingo, 3 de julho de 2016

MAIS UMA ELEIÇÃO EM BACABAL: ESPERANÇA RENOVADA OU A VELHA POLÍTICA DE SEMPRE?




Por Cláudio Cavalcante

Nesse momento crucial, por que passa a política brasileira, Bacabal, num ciclo político partidário também conturbado, representada por seus grandes figurões, já bastante conhecidos de todos, além de alguns outros novos, será palco de mais uma campanha eleitoral, tal com a finalidade de retirar a cidade do retrocesso que, há anos, está acometida. Sim, é atraso mesmo, pois trata-se de um município territorialmente avantajado, com uma comunidade formada por mais de cem mil pessoas, boa parte profissionais; mas um município que ainda engatinha quando o assunto é infra-estrutura, saúde, economia, geração de emprego e renda, criatividade e comprometimento administrativo, dentre outros problemas que incidem negativamente no seu desenvolvimento.
No entanto, desenha-se, agora, uma campanha eleitoral que apresenta algumas novidades, como Gisele Veloso, nome alavancado e publicado através da proximidade com o Desembargador Guerreiro, além da elementar autopublicação das ações remanescentes do já conhecido marketing pré ou político, voltado ao assistencialismo e participações em eventos populares locais. Também como opção nova está o empresário Soares, que segue linha parecida no que diz respeito a produção de marketing, publicando inclusive vídeo de pré apresentação, veiculado nas redes sociais, e que busca, através de frases feitas e visivelmente ensaiadas, explicitar sua indignação em relação à Bacabal de hoje. Ainda como novidade ou somente metade desta, aparece Liduína, ex-vereadora de Bacabal, que ficou marcada como a legisladora que buscou caminho solo após desentendimento com o ex-prefeito Lisboa, e que sem o apoio do executivo, foi extremamente colocada de escanteio, um dos fatores que fez com não fosse reeleita em 2012. Jansen Penha, empresário, também figura como possibilidade de nova opção, tal que já disputou algumas campanhas para Deputado Federal e que sempre buscou a não alienação política partidária como regra de seu trabalho político, não aceitando parcerias com figuras carimbadas da política local. Uma das mais divulgadas e comentadas novidades, devido a sua presença significativa no parlamento maranhense e uma rede de publicação local através do canal de TV que comanda em Bacabal, é o Deputado Estadual Roberto Costa. Roberto é jovem, bom orador, comedido, participativo, presente. O que ainda parece pesar negativamente sobre sua figura é a proximidade com João Alberto, que nos últimos anos vem perdendo terreno político na região e que parece não mais ser aclamado por Bacabal tal qual antes, dado sua aproximação com prefeitos bacabalenses que não deram lá tão certo. O Deputado Carlinhos Florêncio e o Filho, Vereador Florêncio Neto, preferiram não apostar na possibilidade de candidatura, inclusive por não ter ficado muito claro para a sociedade bacabalense quais eram realmente a pretensão política da dupla de pai e filho nestas eleições. De velho, reaparece Zé Vieira, que conquistou extraordinária soma de adeptos quando de seu primeiro pleito como prefeito de Bacabal e que através de um trabalho considerável, ganhou notoriedade reestruturando a infraestrutura da cidade, que estava jogada às traças pelo já falecido ex-prefeito Jocimar Alves. Pesa sobre Zé Vieira, a sua idade, tal que já não tem mais a mesma disposição física de antes para acompanhar uma intensa campanha política e também questões jurídicas e políticas voltadas à sustentação de sua eminente candidatura a prefeito. Zé Vieira aparece junto ao empresário César Brito, que também trata-se de uma novidade na política local, mas que, no entanto, é apresentado em parceria com esta figura não tão nova e tampouco no seu melhor momento político, que é Zé Vieira. Junto a estes, Dr. Lisboa aparece como um “apoiador”, mesmo tendo sido alvo de recentes prisões por envolvimento com quadrilha de agiotagem no Maranhão, onde teria participação com a fomentação de tais atividades através de recursos públicos, endossados quando prefeito de Bacabal. Finalmente, Zé Alberto, que não mais representa novidade, deverá buscar reeleição. Enfrenta situação política difícil devido aos trabalhos (prometidos por ele em campanha) que não foram realizados durante os seus já quase quatro anos de mandato, pioradas com a falta de atitudes administrativas, o que o colocou em situação não confortável diante da política local.   
Mas, na realidade, em quem apostar? Não é fácil responder, pois sabemos que muitas falhas ocorreram e vão ocorrer na própria formação do corpo de profissionais, políticos e correligionários que tocarão estas campanhas. Uma das questões que deve ser observada é que uma campanha política para Bacabal, nesse momento, não necessita apenas de discursos e ideais novas. O que realmente se fará necessário serão atitudes verdadeiras, compromissadas e com resoluções aplicáveis, praticáveis e não fantasiosas. Um grande exemplo são os chamados planos de governo, tais fabricados, muitas vezes às pressas no decorrer da campanha, apenas para ser registrado, publicado em busca de mascarar o verdadeiro compromisso com os problemas apresentados nas tais cartilhas. Esses planos de governo nunca foram realmente resolutivos para Bacabal, pois o verdadeiro plano de governo que se estabelece, na prática, é o plano político, onde almeja-se e pratica-se “carreira da política familiar ou de amigos”, transformando a prefeitura num eficaz trampolim de perspectiva eleitoral para candidatos eleitos com o possível apoio de seu erário. Bacabal não necessita de planos de governo e muito menos de planos políticos; mas sim de um vasto, objetivo e praticável projeto administrativo. A ordem aqui não é de verossimilhança, mas de finalidade pública pura, estabelecida de forma concisa, respeitosa e prioritária.
Infelizmente, muitos bacabalenses que participam diretamente da coisa pública, ainda não dão o devido valor ao conceito de conscientização em busca da tão sonhada transformação; pois o que ainda parece importar mais é uma fatia do poder para uso particular, a ambição, a ganância. Pois, Bacabal, como muito se propaga por aí, não é a cidade do já teve; ela busca organizar-se sim no seu modelo privado e tem demonstrando isso a trancos e barrancos. O grande exemplo é que comércio está aí, resistindo à falta de criatividade dos sucessivos modelos públicos de gestões locais. As novas empresas, como as clínicas por exemplo, escolheram o município para instalar seus modernos equipamentos, através de excelentes profissionais que por aqui descobrem um nicho do “mercado da saúde”, talvez, como em todo o Brasil, por falta de saúde pública adequada ou simplesmente por uma situação natural de cunho capitalista. Instituições como SEBRAE, SENAC, CDL, Associação Comercial, Secretaria de Emprego e Renda, dentre outros fomentadores da iniciativa privada, estão presentes para serem utilizados pela comunidade, restando apenas que sejam reconhecidos como elementos que possam colaborar para o crescimento do município.
Mas tudo isso não é o bastante. Há um intenso desejo sim de se ver mudanças administrativas, nas práticas operadas e nos costumes da velha política estagnada e abarrotada de vícios bestiais. Estas mudanças acabam por refletir em todas todas as esferas de poder, incluindo-se o próprio legislativo e o judiciário, pois fazem parte desse conjunto de mudanças dos velhos hábitos. Estes não podem jamais continuar com as mesmas práticas regionais de não atenderem ao modelo exigido pela população. É indispensável que se fomente debates sérios e axiológicos, que visem a resolução real dos problemas presentes; e não somente os doentes e velhos debates contaminados por paixões partidárias ou interesses escusos, formados por vícios que marcam o caráter da política local. É preciso sair de um desajuste político e entrar no momento de novos tempos, com vistas à racionalidade, nas ações valorativas, com ênfase nos resultados administrativos de qualidade. A administração pública precisa deixar de ser uma caixa de péssimas surpresas a cada novo governo, gerando muito mais receio e insegurança do que confiança. Para tanto será necessário um esforço moral, ético e de competências, tais que devam ser absorvidas e compartilhadas pelo executivo, legislativo e judiciário, como já dito. É necessário, antes de se discutir quanto e como um município recebe verbas públicas; que seja antes colocado em debate a qualidade de quem está no comando, sua competência para o cargo, sua índole, compromisso e capacidade técnica administrativa.
Chega de “oba oba”, as pessoas não querem mais somente a boa propaganda política, bem lapidada, bem ornamentada. O bacabalense não aceita mais aquele político desbocado ou o coitadinho, o teatral ou ainda o comedidamente superficial. Não se aceita mais o candidato alienado, o perfeitamente ensaiado ou o que a tudo irá resolver sem se ter a real noção do tipo, grau e tamanho do problema administrativo que encontrará pela frente, caso eleito. É preciso muito mais do que tudo isso, pois de contadores de belas histórias e inovadores artificiosos, o povo já está cansado. Sejam as ditas novidades políticas ou os velhos caciques, todos precisam entender que os tempos são outros e que prefeitura não pode mais ser local para aventuras e deliquências políticas. As estruturas administrativas dos municípios já não comportam mais as conhecidas atividades degradantes de corrupções sistêmicas. As pessoas já não engolem mais os belos marketings de campanhas milionárias ou os tapinhas nas costas dados pelos candidatos ditos “pobrezinhos”, mas que chegando ao poder recolherão dividendos públicos para agirem, nas futuras campanhas, exatamente como os endinheirados maus feitores de hoje. Por isso, não adianta mais a festa dos velhos discursos vazios, revanchistas, aleatórios; sem nenhum aspecto lógico, prático, consistente, realista. Sem um projeto administrativo e um discurso que promova a integração de ideias viáveis, objetivo, movido pela real demonstração de capacidade pessoal para a gestão da coisa pública, o propenso candidato será apenas mais um. Não precisamos, nesse momento, de mais um candidato; mas sim daquele que traçará caminhos que possam ser realmente praticados, consolidados, com a qualidade que o bacabalense anseia há muito tempo.  
E você, entende que nesta campanha o bacabalense terá a esperança renovada ou tudo se consolidará, mais uma vez, como a velha política de sempre? Vale a pena refletir. Boa sorte!

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